
Woody Allen é uma das provas vivas da teoria Marxista (não a do Karl, mas a do Groucho) de que sem angústia, não há comédia. Sua filmografia é uma prova viva disso: somos postos cara a cara com personagens neuróticos, frustrados e insatisfeitos com suas vidas, profissões e relacionamentos. Certa vez, um vendedor de uma loja me disse que era até assustador ver "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" porque o personagem principal, interpretado pelo próprio, era totalmente feito à imagem e semelhança do autor. Minha resposta foi que o mais assustador ainda é que mesmo sendo tão parecidos com o autor, os personagens de Woody Allen são anti-heróis cem por cento humanos, cheios de paranóias e dramas o suficiente para que nos identifiquemos com eles. E assim como Allen, adoramos fazer piada da nossa própria desgraça...
Definitivamente um de seus melhores filmes, "Manhattan", feito em 1979, é um belo exemplo de tudo explicado acima. Filmado em preto e branco, Woody nos entrega um tragicômico romance onde interpreta Isaac Davis, um escritor divorciado que se vê em maus lençóis quando sua ex-esposa (Meryl Streep) resolve tornar-se lésbica e publicar um livro sobre a vida dos dois. Enquanto isso, está namorando Tracy (Mariel Hemingway), uma jovem de 17 anos, que corresponde a paixão por ele. No entanto, começa a sentir-se atraído por Mary Wilker (Diane Keaton), amante do seu melhor amigo, uma mulher mais madura e que no início tinha uma relação hostil com Isaac.
Seria um típico filme do Woody Allen caso não fosse totalmente atípico. Os dramas das vidas dos personagens centrais são explanados com inteligentes diálogos; a indignação de Tracy por Isaac sempre a tratar como ingênua e pueril demais; a indecisão de Mary; e Isaac no meio do turbilhão, com milhões de complexas decisões a tomar e incerto em todas elas. O filme oferece uma bela visão da cidade de Manhattan, com toda sua efervescência populacional, suas belas paisagens urbanas, tudo com a nostálgica elegância cinzenta da direção de arte e o roteiro estupendo do diretor. Sem contar o belo final, sugerindo que nunca é tarde para a redenção, nunca é tarde para ouvir o coração, e principalmente que nunca é tarde para ter um pouco mais de fé nas pessoas ao redor. Se assistí-lo vai mudar sua vida ou não, só depende de você."Manhattan não é apenas um grande filme, é o tipo de filme que você gostaria de ter feito. Não, irei mais longe: Manhattan faz você desejar que você fosse uma pessoa melhor."
(Neil LaBute)
Marcadores: Diane Keaton, Diretores - Woody Allen


9 Comentários: