Manhattan
13 julho 2007 | billy shears |

Woody Allen é uma das provas vivas da teoria Marxista (não a do Karl, mas a do Groucho) de que sem angústia, não há comédia. Sua filmografia é uma prova viva disso: somos postos cara a cara com personagens neuróticos, frustrados e insatisfeitos com suas vidas, profissões e relacionamentos. Certa vez, um vendedor de uma loja me disse que era até assustador ver "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" porque o personagem principal, interpretado pelo próprio, era totalmente feito à imagem e semelhança do autor. Minha resposta foi que o mais assustador ainda é que mesmo sendo tão parecidos com o autor, os personagens de Woody Allen são anti-heróis cem por cento humanos, cheios de paranóias e dramas o suficiente para que nos identifiquemos com eles. E assim como Allen, adoramos fazer piada da nossa própria desgraça...

Definitivamente um de seus melhores filmes, "Manhattan", feito em 1979, é um belo exemplo de tudo explicado acima. Filmado em preto e branco, Woody nos entrega um tragicômico romance onde interpreta Isaac Davis, um escritor divorciado que se vê em maus lençóis quando sua ex-esposa (Meryl Streep) resolve tornar-se lésbica e publicar um livro sobre a vida dos dois. Enquanto isso, está namorando Tracy (Mariel Hemingway), uma jovem de 17 anos, que corresponde a paixão por ele. No entanto, começa a sentir-se atraído por Mary Wilker (Diane Keaton), amante do seu melhor amigo, uma mulher mais madura e que no início tinha uma relação hostil com Isaac.
Seria um típico filme do Woody Allen caso não fosse totalmente atípico. Os dramas das vidas dos personagens centrais são explanados com inteligentes diálogos; a indignação de Tracy por Isaac sempre a tratar como ingênua e pueril demais; a indecisão de Mary; e Isaac no meio do turbilhão, com milhões de complexas decisões a tomar e incerto em todas elas. O filme oferece uma bela visão da cidade de Manhattan, com toda sua efervescência populacional, suas belas paisagens urbanas, tudo com a nostálgica elegância cinzenta da direção de arte e o roteiro estupendo do diretor. Sem contar o belo final, sugerindo que nunca é tarde para a redenção, nunca é tarde para ouvir o coração, e principalmente que nunca é tarde para ter um pouco mais de fé nas pessoas ao redor. Se assistí-lo vai mudar sua vida ou não, só depende de você.

"Manhattan não é apenas um grande filme, é o tipo de filme que você gostaria de ter feito. Não, irei mais longe: Manhattan faz você desejar que você fosse uma pessoa melhor."
(Neil LaBute)

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9 Comentários:

Blogger Carmem Luisa disse em 13 de julho de 2007 às 20:27:
Não sou lá cinéfila, mas o bom Woddy merece essa ressalta por aqui!
 

Blogger Luden disse em 13 de julho de 2007 às 20:57:
No dia que eu levar em consideração o que o escroto do Arnaldo Jabor fala eu vou começar a mijar nas calças.

Allen é gênio.
 

Blogger natália; disse em 13 de julho de 2007 às 21:00:
woody allen! faz muito tempo que não vejo nada dele :/

quando eu tiver dinheiro pra voltar na locadora (eu já gastei horrores nessas férias com cinema), vou alugar esse. parece ser bom!

bejo :*
 

Blogger gabriel disse em 14 de julho de 2007 às 11:38:
Gostei do blog, espero que venham ótimas coisas por aí. Manhattan ainda não assisti, mas é um dos que pretendo, embora o Cineasta de Nova York não seja de Manhattan, mas do Broklyn: Spike Lee.
 
Blogger Nara disse em 15 de julho de 2007 às 00:19:
êê Bêr, bela estréia! Agora é pensar no próximo filme XD
 
Anonymous Anônimo disse em 25 de julho de 2007 às 21:24:
Narita...

mais uma louca por cinema dizendo "vida longa ao Woody!"

se eu pudesse entrar na locadora alugaria algo!!!!
 
Anonymous Anônimo disse em 27 de julho de 2007 às 15:07:
passou um filme do woody allen esses dias no corujão, mas nem vi, dormi logo no começo (fora que a voz dele dublada parecia a do jaiminho, haha)
 
Anonymous Anônimo disse em 2 de agosto de 2007 às 22:45:
woody me lembra o plank de du, dudu e edu.
 
Anonymous Anônimo disse em 23 de agosto de 2007 às 23:40:
Pra quem ainda não viu, é o melhor DRAMA do Woody Allen.
 

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cenário
sinopse
homenageando os filmes que arnaldo jabor odeia, MOONVIEHATTAN é uma sensível produção estrelando bernardo (oscar de melhor argumento em "dangerous music") e nara (oscar de melhor fotografia em "redecouverte"), somada a direção dinâmica das próprias estrelas. ber era um indie que passava os dias baixando bootlegs dos pixies até que encontrou nara, que tinha o live da banda em toronto. tal troca singela revelará uma amizade verdadeira em uma obra tão singela quanto.

"uma BOSTA!!!"
- Folha de São Paulo
ângulos
  • estréia: 13 de julho de 2007
  • remake: 1.0 ~ BLOW UP! desde 13 de julho de 2007
  • cinéfilos: #


  • © moonviehattan07
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    elenco
    bernardo
    cinéfilo desde que assistiu laranja mecânica e desde então empobrece a família com visitas semanais à locadora.
    nara
    cinéfila desde que começou a trabalhar numa locadora e assistia filmes de graça. já saiu de lá faz tempo e agora contrabandeia dvds com o pai.

    filmografia
    estréia
  • julho 2007
  • agosto 2007
  • outubro 2007
  • novembro 2007
  • dezembro 2007
  • título

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