Os Incompreendidos
05 outubro 2007 | billy shears |
Indo direto ao ponto para quem não conhece: François Truffaut é um dos maiores e mais bem sucedidos diretores de cinema do século vinte. Um dos criadores da nouvelle vague, movimento francês de cinema que defendia a teoria autoral, onde o filme é considerado uma realização individual dependendo quase que exclusivamente de uma única pessoa - geralmente o diretor (proposta essa apresentada pelo próprio Truffaut, que elegeu como representante maior dessa teoria o diretor Alfred Hitchcock) - e também produções de baixo custo que tratavam de temas amorais para a sua geração e maracavam por enredos inesperados e originais, muitas vezes sem ligar para linearidade narrativa.

Incoformados com os sucessos do cinema francês na época e fãs do film noir americano, Truffaut e seus companheiros e também críticos de filmes da revista "Cahiers du cinéma" como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Alan Resnais, Jacques Rivette, Eric Rohmer e Roger Vadim nos deram pérolas como "Acossado" e Alphaville" de Godard; "Hiroshima Meu Amor" de Resnais; "Nas Garras do Vício" de Chabrol; "A Religiosa" de Rivette; "O Signo do Leão" de Rohmer; "E Deus Criou A Mulher" de Vadim; e as obras máximas de François: "Jules e Jim" e principalmente "Os Incompreendidos".

Rodado em 1959, este é o primeiro longa-metragem de Truffaut, com o título original de "Les 400 Coups", uma expressão francesa equivalente a "pintar o sete"; uma obra-prima autobiográfica feita com ajuda financeira do sogro de Truffaut na época que conta a história de Antoine Doinel, o primeiro trabalho do ator francês Jean-Pierre Léaud, com catorze anos na época e que mais tarde viria a estrelar outros sucessos como "Beijos Roubados", "O Último Tango em Paris" e "A Noite Americana". Relatando um período que o próprio diretor viveu entre o fim de sua infância e o início da sua juventude, o jovem e rebelde Antoine - personagem que ainda apareceria em muitos filmes de Truffaut, sempre interpretado por Léaud - enfrenta o desprezo de seus pais e a repressão autoritária de seus professores. Rebelde, forja uma amizade com René (Patrick Auffay) e começa a faltar aulas, fugir de casa para ir ao cinema e cometer pequenos delitos.

Com o desenrolar da história, vamos sentindo cada vez mais na pele toda a angústia sentida pelo personagem. Toda a vontade de gritar e ser reprimido por uma sociedade que não ouve os seus problemas, apenas o obriga a abaixar a cabeça e obedecer as ordens das instituições julgadas sagradas pela sociedade. Como Antoine Doinel não se enquadra em nenhuma delas, é enviado para reformatórios juvenis, afastado cada vez mais dos injustos pilares erguidos pela civilização, pois afinal, tais reformatórios nada ajudam apesar do seu desígnio original. A única alternativa que resta a Doinel é fugir. Fugir desse mundo separado por barreiras sólidas e incomunicáveis, onde ninguém ouvirá seus gritos. O final é sensível, silencioso e vago. Quando se é diferente, não há nenhum lugar para correr. Resta apenas o vazio. Uma cena incompreendida no começo, mas que pouco tempo depois faz todo o sentido do mundo. Refletindo nossa própria condição de estar tão imerso no meio social, que a compreensão do natural torna-se simplesmente impossível. E segundo tanto a arte produzida pelo homem denuncia, parece ser a própria condição humana nesses amargos tempos.

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4 Comentários:

Blogger gabriel disse em 6 de outubro de 2007 às 21:05:
Trufa era um gênio, um homem que nem o ensino fundamental tinha, mas acabou revolucionando o cinema naqueles idos de 1959.
Os incompreendidos é de uma sensibilidade ímpar. Todas as cenas são lindas, até lembrei agora do altar para Balzac feito por Doinel. Pena que o Léaud não envelheceu bem, assim como o Tadzio de Visconti.
 

Blogger Nara disse em 7 de outubro de 2007 às 02:13:
ANTES DE LER: eu vou ter esse filme já, já! *-*
 

Anonymous Anônimo disse em 11 de outubro de 2007 às 22:29:
sinceramente, não compreendi o filme...
(sacanagem!) rs

Que filme! O que amenta meu tesão é saber que paguei 19,90 só.
Eu não sabia o lance de ele não ter o ensino fundamental.
Enfim, é bem mais que um grande filme.
 

Blogger Carmem Luisa disse em 12 de outubro de 2007 às 22:36:
Continuo não compreendendo os incompreendidos.
 

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cenário
sinopse
homenageando os filmes que arnaldo jabor odeia, MOONVIEHATTAN é uma sensível produção estrelando bernardo (oscar de melhor argumento em "dangerous music") e nara (oscar de melhor fotografia em "redecouverte"), somada a direção dinâmica das próprias estrelas. ber era um indie que passava os dias baixando bootlegs dos pixies até que encontrou nara, que tinha o live da banda em toronto. tal troca singela revelará uma amizade verdadeira em uma obra tão singela quanto.

"uma BOSTA!!!"
- Folha de São Paulo
ângulos
  • estréia: 13 de julho de 2007
  • remake: 1.0 ~ BLOW UP! desde 13 de julho de 2007
  • cinéfilos: #


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    elenco
    bernardo
    cinéfilo desde que assistiu laranja mecânica e desde então empobrece a família com visitas semanais à locadora.
    nara
    cinéfila desde que começou a trabalhar numa locadora e assistia filmes de graça. já saiu de lá faz tempo e agora contrabandeia dvds com o pai.

    filmografia
    estréia
  • julho 2007
  • agosto 2007
  • outubro 2007
  • novembro 2007
  • dezembro 2007
  • título
  • Dr. Fantástico
  • Manhattan
  • catálogo
    código

    em cartaz
    takes
    cinemark roxy cinemateca sp adoro cinema cinema com rapadura