O Mundo de Andy
11 novembro 2007 | billy shears |

O que separa a genialidade da insanidade? Uma linha tênue? Ou nada? Até onde alguém pode ir quando está disposto a provar algo? Quem aceitaria arriscar e praticamente jogar no lixo uma carreira de sucesso garantido na determinação de quebrar barreiras?

Senhoras e senhores: Andy Kaufman.

Primeiro, o homem. Vindo de Nova Iorque e construindo rapidamente uma fama estrondosa de humorista no seriado "Taxi" e participando do programa "Saturday Night Live", Andy aproveitou a condição de nova celebridade para começar a provocar o público. Dono das vontades de ousar e esculhambar, atraiu grande antipatia do público americano em geral ao começar a tomar atitudes como ler longos romances para platéias que esperavam ver um show de humor, ofendendo o sexo feminino e desafiando mulheres profissionais de luta-livre, inventava histórias para a mídia americana, criava identidades ficctícias como o cantor Tony Clifton... O humor americano nunca mais foi o mesmo depois de Kaufman. Era algo totalmente além do humor e da ficção. Era tudo muito real, um tapa na cara, e na região mais sensível do rosto. Faleceu em 1984 de câncer de intestino, fato este que nem a mídia e o público deram crédito ou veracidade.

Segundo, o filme e seus envolvidos. Em 1996, Milos Forman começou a pesquisar a vida do controverso ícone. O envolvimento do cineasta de naturalidade checa e naturalizado americano com figuras polêmicas não é de hoje - em todos os seus clássicos, sempre vemos a luta de homens contra instituições que não podiam combater. Os hippies cantavam, dançavam e viajavam para ofender os burgueses em "Hair", Jack Nicholson sentiu na pele o ambiente claustrofóbico que é um hospício em "Um Estranho No Ninho", Larry Flint e sua Hustler combateram incansavelmente a direita protestante e pagaram caro por isso em "O Povo Contra Larry Flint" e o medíocre músico Salieri contra um império e a religião em "Amadeus'. Ou seja, era como se o legado de Kaufman e a carreira de cineasta de Milos Forman tivessem sido feitos para se chocarem algum dia - E daí surgir outra bomba.

Jim Carrey já era um ator famosíssimo na época, mas poucos acreditavam em sua capacidade fora de um papel que fosse engraçado, bizarro ou esquisito - tal qual um novo Peter Sellers ou Jerry Lewis da década de noventa, o americano teve o mundo humorístico da década em suas mãos em películas como "O Máskara", "Debi e Lóide", "Ace Ventura", "O Pentelho" e "O Mentiroso". Mas as impressões sobre Jim começaram a mudar quando aceitou interpretar o ingênuo e televisionado desde criança Truman Burbank no filme "O Show de Truman", em 1998. Forte, intenso e envolvente, uma história sobre descoberta e busca por liberdade, foi uma bomba em matéria de público e crítica.

E no ano seguinte, Jim Carrey confirmaria que "O Show de Truman" não era apenas um acerto na mosca por acaso. Escolhido para interpretar Andy Kaufman e acompanhado da rockstar Courtney Love (que já havia trabalhado com Milos três anos antes em "O Povo Contra Larry Flint") como a companheira de Andy, Lynne Margulies e Paul Giamatti como o amigo George Saphiro, Carrey não decepcionou absolutamente em nenhuma cena. O ator se envolveu tanto com o personagem e de forma tão marcante que fica difícil que saiam da cabeça cenas como as provocações públicas realizadas por Andy, as fracassadas lutas contra o câncer, o clima pesado entre Andy, Lynne e George que intensifica cada vez mais. Carrey entrou tanto no personagem que mesmo quando não estava gravando pedia para ser chamado de Andy Kaufman. Quando a verdadeira Lynne Margulies foi visitar o set de filmagens, ficou chocada e extremamente emocionada na perfeição atingida na interpretação.

A trilha sonora e o roteiro são outros capítulo a serem destacados. Com várias canções compostas pelo próprio Kaufman, transmitindo autenticidade nessa cinebiografia, e com a cereja do bolo sendo "Man On The Moon", nome original do filme e que se tornou um clássico da banda de rock alternativo R.E.M. Uma canção emocionada que critica a mídia americana, dizendo que a mídia nos faz acreditar em tudo, tudo mesmo. Característica midiática essa que Andy usou e abusou. O roteiro conflituoso tenta se aproximar o máximo possível da atribulada vida do artista, com base em entrevistas de amigos, familiares e até inimigos de Kaufman.

Paradoxalmente engraçado, dramático e desafiador, assim como o artista que o inspirou, o filme nos ajuda a mergulhar de cabeça na vida deste que foi um dos artistas mais importantes da história contemporânea. Um dos que mais aproximou arte de realidade, que testou nossos preconceitos até o limite, que desmistificou a hipocrisia, que desafiou a opinião pública na maior cara de pau e sem medo de amargar no ostracismo. Caótica feito a sua arte, a vida de Andy é um exemplo de crença nos próprios ideais. A maioria consideraria que exemplo seria abandonar suas próprias idéias e se submeter a máquina, até atingir uma velhice conformada. Mas Andy Kaufman era diferente. E o filme demonstra perfeitamente o por que dele não ter sido só mais uma figura no show business, a causa de Milos Forman não ser só mais um diretor na história do cinema norte-americano e a razão de Jim Carrey ser um dos atores mais bem conceituados da atualidade.

"If you believed they put a man on the moon, man on the moon... If you believe there's nothing up my sleeve, then nothing is cool..."

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4 Comentários:

Blogger gabriel disse em 13 de novembro de 2007 às 21:22:
Nunca tive a oportunidade de ver esse, mas os filmes de Milos Forman são muito bons! Qualquer dia eu confiro esse o/
 

Blogger natália; disse em 14 de novembro de 2007 às 18:50:
ai, eu não aguento as caras do jim carrey!

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estou ficando cega, ou vcs diminuíram a fonte do blog? o.o
 

Blogger Nara disse em 16 de novembro de 2007 às 18:37:
Este comentário foi removido pelo autor.
 

Blogger Nara disse em 16 de novembro de 2007 às 18:38:
preciso fazer um template ocm a fonte maior, beijos.
 

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cenário
sinopse
homenageando os filmes que arnaldo jabor odeia, MOONVIEHATTAN é uma sensível produção estrelando bernardo (oscar de melhor argumento em "dangerous music") e nara (oscar de melhor fotografia em "redecouverte"), somada a direção dinâmica das próprias estrelas. ber era um indie que passava os dias baixando bootlegs dos pixies até que encontrou nara, que tinha o live da banda em toronto. tal troca singela revelará uma amizade verdadeira em uma obra tão singela quanto.

"uma BOSTA!!!"
- Folha de São Paulo
ângulos
  • estréia: 13 de julho de 2007
  • remake: 1.0 ~ BLOW UP! desde 13 de julho de 2007
  • cinéfilos: #


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    elenco
    bernardo
    cinéfilo desde que assistiu laranja mecânica e desde então empobrece a família com visitas semanais à locadora.
    nara
    cinéfila desde que começou a trabalhar numa locadora e assistia filmes de graça. já saiu de lá faz tempo e agora contrabandeia dvds com o pai.

    filmografia
    estréia
  • julho 2007
  • agosto 2007
  • outubro 2007
  • novembro 2007
  • dezembro 2007
  • título
  • Feios, Sujos e Malvados
  • Os Incompreendidos
  • Dr. Fantástico
  • Manhattan
  • catálogo
    código

    em cartaz
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