Dr. Fantástico
20 agosto 2007 | billy shears | 005

"ou: Como aprendi a parar de me preocupar e amar a bomba"

Após o término da segunda Guerra Mundial, o mundo foi bipartido. De um lado, os Estados Unidos surgiram como a maior potência do mundo capitalista; do outro, a União Soviética como líder suprema e incontestável do lado vermelho do mundo. Por muitos anos, até a queda do Muro de Berlim e o colapso do comunismo, o mundo viveu sob a ameaça de ser consumido por uma fogueira nuclear ao mínimo deslize de qualquer governante. As duas potências vertiam países em capitalistas e comunistas para dificultar o lado do outro inimigo - a China ficava mais vermelha sob o governo de Mao Tse Tung, um pequeno país de nome Cuba, vizinho aos Estados Unidos, tornava-se comunista, o Japão crescia como potencia capitalista e ditaduras militares eram implantadas nos governos latinoamericanos.

Mesmo com o nervosismo diário desses dias, onde qualquer coisa poderia acabar em pé de guerra, a arte não deixou de expressar seus sentimento sobre esse momento crítico da história do mundo. Primeiro, em 1958, o ex-soldado Peter George escreveu um grande suspense sobre esse período chamado de Guerra Fria, chamado "Alerta Vermelho".

Seis anos mais tarde, um diretor de nome Stanley Kubrick, já com certo reconhecimento por dirigir a adaptação cinematográfica de "Lolita", a obra-prima do escritor Vladimir Nabokov, "Glória Feita de Sangue", um dos mais angustiantes e reveladores filmes sobre a guerra e dirigido a cinebiografia de "Spartacus", comprou os direitos do livro para que pudesse adaptá-lo ao cinema. Para o elenco, pelo menos três estrelas: George C. Scott (que ainda brilharia com "Patton - Rebelde ou Herói?"), Sterling Hayden ("O Segredo das Jóias", "Johnny Guitar", "O Grande Golpe") e, principalmente, Peter Sellers, que já havia brilhado em pérolas como "Lolita" e "A Pantera Cor de Rosa" e ainda brilharia com o engraçadíssimo "Um Convidado Bem Trapalhão" e o comovente "Muito Além do Jardim".

Porém, enquanto escrevia o roteiro, Kubrick percebeu que, entre toda aquela tensão que imperava no livro de George, havia detalhes bizarros demais para deixar passar em branco. Assim, gradualmente, o roteiro acabou como uma comédia - uma das cinco melhores de todos os tempos.

A história toda começa quando o insano e durão General Jack D. Ripper (interpretado por Sterling) falha sexualmente com uma mulher na cama e o mesmo atribui sua impotência aos comunistas, acusando-os de poluir a água ingerida pelos americanos com líquidos prejudiciais. Enfurecido por ter seus "preciosos fluidos" contaminados pelos vermelhos, ele ordena a vígilia constante da sua unidade, pondo os soldados em estado de alerta, e enviando uma frota de aviões para bombardear a Rússia. Isso põe os Estados Unidos em emergência máxima, levando o presidente americano Merkin Muffley (interpretado por Sellers) a ativar a sala de guerra com todos os seus generais, e ligando no famoso telefone vermelho para um cônsul soviético de nome Dimitri que está extremamente embrigado no momento da ligação.

Enquanto o presidente, o General Buck Turgidson (interpretado por George C. Scott) e o embaixador russo Alexi de Sadesky discutem inutilmente por pequenas burocracias, a tropa enviada pelo General Jack se aproxima cada vez mais da União Soviética. Enquanto isso, na base de Jack, o mesmo fica em pé de guerra com um inimigo ameaçador que nunca aparece, tendo que ser tranquilizado pelo Capitão inglês Lionel Mandrake (Sellers novamente).

O terceiro papel de Peter Sellers aparece na pele de Dr. Fantástico, um ex-oficial nazista, e se nos outros ele já interpretava com excelência, esse caricato personagem quase que atinge a perfeição, sentado em uma cadeira de rodas e não conseguindo controlar a própria mão, que insiste em levantar o braço como se ainda saudasse Hitler, indicando que o nazismo ainda não havia perecido com o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele aparece quando nada mais tem solução e então sugere organizações de sobrevivência pós-explosão das bombas atômicas. Facistamente, arma um esquema em que apenas os mais fortes e saudáveis prevaleceriam. E para o choque do espectador, o presidente acata o esquema achando-o genial.

Essa trama ao mesmo tempo absurda e cruelmente realista (como todas as guerras paradoxalmente são) constitui uma comédia totalmente diferente de todas as outras. Humor negro e político puro, provando que Kubrick era capaz de ser um cineasta diferente em qualquer gênero em que adotasse. As cenas finais são apoteóticas, onde tudo explode ironicamente ao som da canção "We'll Meet Again", cantada pela britânica Vera Lynn. Um dos filmes mais perfeitos e originais já produzidos, com um diretor e um ator principal únicos na história do cinema. Tremendamente essencial em todos os sentidos.

"YAAAAHOOO, DOOMSDAY MACHINE!!!"

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cenário
sinopse
homenageando os filmes que arnaldo jabor odeia, MOONVIEHATTAN é uma sensível produção estrelando bernardo (oscar de melhor argumento em "dangerous music") e nara (oscar de melhor fotografia em "redecouverte"), somada a direção dinâmica das próprias estrelas. ber era um indie que passava os dias baixando bootlegs dos pixies até que encontrou nara, que tinha o live da banda em toronto. tal troca singela revelará uma amizade verdadeira em uma obra tão singela quanto.

"uma BOSTA!!!"
- Folha de São Paulo
ângulos
  • estréia: 13 de julho de 2007
  • remake: 1.0 ~ BLOW UP! desde 13 de julho de 2007
  • cinéfilos: #


  • © moonviehattan07
    direitos reservados
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    elenco
    bernardo
    cinéfilo desde que assistiu laranja mecânica e desde então empobrece a família com visitas semanais à locadora.
    nara
    cinéfila desde que começou a trabalhar numa locadora e assistia filmes de graça. já saiu de lá faz tempo e agora contrabandeia dvds com o pai.

    filmografia
    estréia
  • julho 2007
  • agosto 2007
  • outubro 2007
  • novembro 2007
  • dezembro 2007
  • título
  • Pulp Fiction
  • O Mundo de Andy
  • Feios, Sujos e Malvados
  • Os Incompreendidos
  • Dr. Fantástico
  • Manhattan
  • catálogo
    código

    em cartaz
    takes
    cinemark roxy cinemateca sp adoro cinema cinema com rapadura