A história toda começa quando o insano e durão General Jack D. Ripper (interpretado por Sterling) falha sexualmente com uma mulher na cama e o mesmo atribui sua impotência aos comunistas, acusando-os de poluir a água ingerida pelos americanos com líquidos prejudiciais. Enfurecido por ter seus "preciosos fluidos" contaminados pelos vermelhos, ele ordena a vígilia constante da sua unidade, pondo os soldados em estado de alerta, e enviando uma frota de aviões para bombardear a Rússia. Isso põe os Estados Unidos em emergência máxima, levando o presidente americano Merkin Muffley (interpretado por Sellers) a ativar a sala de guerra com todos os seus generais, e ligando no famoso telefone vermelho para um cônsul soviético de nome Dimitri que está extremamente embrigado no momento da ligação.Enquanto o presidente, o General Buck Turgidson (interpretado por George C. Scott) e o embaixador russo Alexi de Sadesky discutem inutilmente por pequenas burocracias, a tropa enviada pelo General Jack se aproxima cada vez mais da União Soviética. Enquanto isso, na base de Jack, o mesmo fica em pé de guerra com um inimigo ameaçador que nunca aparece, tendo que ser tranquilizado pelo Capitão inglês Lionel Mandrake (Sellers novamente).
O terceiro papel de Peter Sellers aparece na pele de Dr. Fantástico, um ex-oficial nazista, e se nos outros ele já interpretava com excelência, esse caricato personagem quase que atinge a perfeição, sentado em uma cadeira de rodas e não conseguindo controlar a própria mão, que insiste em levantar o braço como se ainda saudasse Hitler, indicando que o nazismo ainda não havia perecido com o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele aparece quando nada mais tem solução e então sugere organizações de sobrevivência pós-explosão das bombas atômicas. Facistamente, arma um esquema em que apenas os mais fortes e saudáveis prevaleceriam. E para o choque do espectador, o presidente acata o esquema achando-o genial.
Essa trama ao mesmo tempo absurda e cruelmente realista (como todas as guerras paradoxalmente são) constitui uma comédia totalmente diferente de todas as outras. Humor negro e político puro, provando que Kubrick era capaz de ser um cineasta diferente em qualquer gênero em que adotasse. As cenas finais são apoteóticas, onde tudo explode ironicamente ao som da canção "We'll Meet Again", cantada pela britânica Vera Lynn. Um dos filmes mais perfeitos e originais já produzidos, com um diretor e um ator principal únicos na história do cinema. Tremendamente essencial em todos os sentidos.

"YAAAAHOOO, DOOMSDAY MACHINE!!!"
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